Publicado por: sdaviseu | 19 de Maio de 2013

D. José Policarpo despede-se após 15 anos

Cardeal-patriarca, de 77 anos, passa testemunho a D. Manuel Clemente, até agora bispo do Porto

O cardeal português D. José Policarpo deixou de ser o patriarca de Lisboa, após 15 anos à frente da diocese, sendo substituído por D. Manuel Clemente, bispo do Porto.

O agora patriarca emérito tinha apresentado a sua renúncia em 2011, algo que o direito canónico exige a quem cumpre 75 anos de idade, tendo permanecido à frente da diocese da capital portuguesa por decisão de Bento XVI, agora Papa emérito.

O 16.º patriarca de Lisboa assumiu esta missão a 24 de março de 1998, após a morte de D. António Ribeiro, de quem era coadjutor desde março de 1997.

D. José da Cruz Policarpo nasceu a 26 de fevereiro de 1936 em Alvorninha, Caldas da Rainha, território do Distrito de Leiria e do Patriarcado de Lisboa.

Padre desde 15 de agosto de 1961, foi ordenado bispo em 1978 (auxiliar de Lisboa), criado cardeal por João Paulo II em 2001 e participou em dois Conclaves: no de abril de 2005 que elegeu Bento XVI, e no de março deste ano, que acabou com a escolha do Papa Francisco.

O patriarca emérito é licenciado em Teologia Dogmática, em 1968, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com a tese ‘Teologia das Religiões não cristãs’; posteriormente, defendeu na mesma instituição académica uma tese subordinada ao título “Sinais dos Tempos”.

Docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa desde 1970, na categoria de professor auxiliar (1971), de professor extraordinário (1977) e de professor ordinário (1986), D. José Policarpo foi diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (1974/1980; 1985/1988), antes de ser nomeado reitor da Universidade Católica Portuguesa para o quadriénio de 1988/1992, por Decreto da Santa Sé, tendo sido reconduzido nessa função por um segundo quadriénio (1992/1996).

Após a sua nomeação como patriarca de Lisboa, assumiu o título de magno chanceler da Universidade Católica.

D. José Policarpo foi eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) em abril de 1999 e reeleito em 2002 para um novo triénio; voltaria a ocupar o cargo após uma terceira eleição, em maio de 2011.

Com a publicação da aceitação da renúncia, por parte do Papa Francisco, D. José Policarpo deixa também de ser presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), de acordo com os estatutos da entidade representativa da Igreja Católica no país.

No Vaticano, o patriarca emérito foi membro do Conselho Pontifício da Cultura e desempenha essas funções na Congregação de Educação Cristã e no Conselho Pontifício para os Leigos.

Enquanto líder da Diocese de Lisboa, D. José Policarpo apostou na nova evangelização, tendo mesmo dinamizado um congresso internacional (ICNE) com várias outras cidades europeias (Viena, Paris, Bruxelas e Budapeste) que passou pela capital portuguesa em 2005, e na implementação das orientações do Concílio Vaticano II.

Lisboa acolheu também o Encontro Europeu de Jovens promovido pela comunidade ecuménica de Taizé, entre os dias 28 de dezembro de 2004 e 1 de janeiro de 2005, reunindo dezenas de milhares de jovens de diferentes nacionalidades e confissões cristãs.

A preocupação com a “indiferença” da sociedade face a Deus e os apelos ao diálogo perante o atual momento de crise socioeconómica em Portugal marcaram os últimos anos à frente da CEP e do Patriarcado de Lisboa.

OC | in agência ecclesia

Foto: m.publico.pt

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